sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Tem mudanças que vem para o bem...

Ou não.
      Certa vez conheci uma pessoa, ela tinha características da "Direita política", não gostava da natureza (porque o tal do "Capetalismo" só gosta de cidades bem desenvolvidas, né?), era carnívora (comia até frango cru!), era contra cotas para alunos de escolas públicas (sempre chorava as pitangas de sua priminha rica que queria ser médica e não conseguia por causa de alunos cotistas), era super individualista (sempre dizia: "antes ele do que eu", quando referia-se a alguém passando fome ou até mesmo que havia falecido), não dava esmolas de forma alguma (porque esses "vagabundos" tem que trabalhar, ao invés de ficar pedindo dinheiro para comprar drogas), menosprezava meninas que usavam roupas curtas, curtiam funk e "fazia o que bem entendia de sua vida" (se é que você me entende), queria e ia em baladas que se paga uma fortuna para entrar, sempre tinha o celular do ano, entre outros pensamentos e atitudes. 
        Entretanto, porém, contudo, sob influência de seus professores de história começa a ler sobre Karl Marx e suas obras, então se transforma numa socialista de mão cheia! Vai em todas as manifestações em prol de qualquer coisa que esteja em pauta (contanto que seja para o bem comum), é feminista e apoia agora a liberdade de expressão das mulheres (seja ela qual for), faz "ações sociais" (dá esmolas para moradores de rua e para quem pede no transporte público), tem nojo e odeia a repressão da Mídia Corporativista Burguesa, ama a natureza e se tornou ovo-lacto-vegetariana (Claro! Come no Subway e tudo mais), adora o PT, e crítica qualquer pessoa que tenha opinião oposta à sua (no caso, os capitalistas "burgaysinhos"), como quando alguém é contra alguma política assistencialista e o chama de desumano e ainda o acusa de ser um Nazi-Fasci (apesar de parecer não saber muito bem o que isso significa). 
     Ora, ora, acho que essa pessoa deveria morar na Cuba, né? Porque lá sim os direitos são iguais a todos. Conheço muitos com esse perfil, como aposto que você também!

Obs.: Não sou de esquerda ou de direita, reaça ou revoluça, pobre ou elite. Apenas não gosto de hipocrisia, mas amo a ironia. 



domingo, 26 de maio de 2013

A vida simulacra

Atualmente, com o advento da internet, as pessoas estão muito mais presentes virtualmente do que em qualquer outro lugar. Nas redes sociais, por exemplo, você não precisa nem conhecer a pessoa para saber, superficialmente, o que ela está falando, fazendo, sentindo ou do que ela gosta e com quem ela anda.
A vida virtual surge com a contemporaneidade e se faz necessária também por conta dela, já que na correria do dia-a-dia não se pode estar presente em todos os lugares e muitas vezes não se consegue ver tudo e todos, muitas vezes se ausentando da vida real, para estar presente simulacramente na vida de todos.
A virtualidade está presente intensamente na sociedade contemporânea, e ela não é e não deve ser considerado algo tão banal que não faça diferença na rotina, ela, na realidade, interfere e muito nas percepções humanas, tanto positivamente quando negativamente, mas não só em graus de adicção, e sim que a vida virtual é um simulacro, porque tudo o que está acontecendo parece real.  Uma conversa com uma pessoa, por exemplo, se pode tirar muito proveito disso, mesmo que isso não tenha acontecido presencialmente, mas pode-se perceber na vida real. Eu, por exemplo, estou aqui me vendo fisicamente e usando um instrumento chamado computador, via uma ferramenta chamada internet e criando uma relação com quem estou conversando do outro lado da rua, cidade, país, mundo, universo ou sei lá, e essa outra pessoa, está, basicamente, igual a mim, aprendendo comigo e criando laços afetivos, bons ou ruins e que durem muito ou não. Isso não é basicamente igual à vida real?
Numa rede social, se pode compartilhar o que quiser, basicamente, e o que as pessoas costumam compartilhar é sobre os feitos de suas vidas, o que ela tem feito, visto, vivido, expõe seus pensamentos e de quem você gosta, dentre muitas outras coisas, é claro que sempre é um recorte de sua vida e seus sentimentos, mas tudo isso faz diferença, tanto na vida dela, tanto na de quem lê, convive e partilha da vida dela, não por tempo de permanência, mas por intensidade daquilo que você aprende e desaprende.
Se algumas pessoas passam a não ter mais significado e não agregam mais sentimentos e valores para você, você vai simplesmente exclui-las de sua mente, vida, ciclo e/ou rede social, mas algumas pessoas vão continuar na sua vida, por muito ou pouco tempo, independente de estarem presentes fisicamente ou não, e quando ela é mais importante ainda, ela se faz presente, ela quer estar presente e demonstrar afeto a quem ela quer bem.
Tudo o que acontece e está na sua vida é pra fazer alguma diferença, você pode lutar contra isso, por poder estar te fazendo mal ou te perturbando, mas no fim, se isso era pra acontecer, isso vai voltar.
O difícil da vida virtual é que cada um tem suas maneiras de se expressar (independente de gramática, mas ela ajuda muito!) e cada um tem sua maneira de interpretar, com as emoções, dependendo com quem se esteja lidando, parece que fica tudo muito mais difícil, então, cada um pode entender da maneira que bem quiser. Então, por isso, se o assunto for delicado, é preferível a conversa presencial, por mais que a vida virtual tenha esse papel simulacro insano. 

Deixo então essa frase interessantíssima para maiores reflexões.

"A razão é escrava da emoção e existe para racionalizar a experiência emocional"
(Wilfred Bion)

Referências Bibliográficas
Baudrillard, Jean. Simulacros e simulações. Lisboa: Relógio d'Água, 1991. 201 p.